As considerações foram elaboradas pelo Departamento de Saúde Mental da entidade, como forma de ajudar no apoio ao bem-estar mental e psicológico durante o surto do novo coronavírus.

 

Lavar bem as mãos é a maneira mais eficaz de evitar o contágio — Foto: Getty Images via BBC

À medida que as autoridades em todo o mundo anunciam medidas de quarentena, restrições e orientações para tentar conter o avanço do novo coronavírus, é normal que mais pessoas se sintam assustadas ou estressadas diante de tantas notícias.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta terça-feira (10) um relatório com recomendações para evitar o estresse que o avanço da doença pelo mundo está causando na população.

A doença Covid-19, que pode causar febre, tosse e problemas respiratórios, está se espalhando pelo mundo e já afetou mais de 114 mil pessoas.

As considerações da OMS foram elaboradas pelo Departamento de Saúde Mental da entidade, como forma de ajudar no apoio ao bem-estar mental e psicológico durante o surto do coronavírus.

Veja as principais sugestões da OMS de cuidados para evitar que a prevenção contra a covid-19 prejudique sua saúde mental:

Não associe a uma nacionalidade ou etnia

 

A Covid-19 pode atingir pessoas de muitos países, em muitas localizações geográficas diferentes. Não associe o vírus a uma nacionalidade ou etnia. Seja empático àqueles que foram afetados, qualquer que seja a nacionalidade deles: as pessoas que ficarem doentes não fizeram nada errado.

Chame da maneira correta

 

Não se refira às pessoas com a doença como “casos de Covid-19”, ou “vítimas”, ou “doentes”. Eles são “pessoas que têm Covid-19”, ou “pessoas que estão sendo tratadas por Covid-19”, “pessoas que estão se recuperando da Covid-19”, e depois de se recuperarem suas vidas vão continuar com seus trabalhos, famílias e entes queridos.

Foco nos fatos

 

Evite assistir, ler ou ouvir notícias que podem causar ansiedade ou estresse; procure informação principalmente para tomar medidas práticas para preparar seus planos de proteção para você e seus entes queridos.

Procure se atualizar em horários definidos, uma ou duas vezes por dia. O fluxo repentino e constante de relatos a respeito do surto pode deixar qualquer um preocupado. Foque nos fatos, e busque informações de sites confiáveis, para distinguir informação de boatos.

Compartilhe experiências positivas

 

Sempre que possível, encontre oportunidades para dar voz a histórias positivas e imagens positivas de pessoas que tenham sido afetadas pelo novo coronavírus e se recuperado, ou que tenham apoiado um ente querido durante a recuperação e queiram compartilhar suas histórias.

 

Coronavírus: passageiros usam máscaras no metrô de São Paulo, na sexta-feira (6). — Foto: REUTERS/Rahel Patrasso

Para os profissionais de saúde

 

A OMS destaca que, para quem trabalha na área de saúde, cuidar do estresse em momentos de surto como o atual é tão importante quanto cuidar dos outros aspectos de saúde. Nesse caso, a OMS recomenda o cuidado com suas necessidades básicas e a criação de estratégias para garantir que todos possam descansar em intervalos no trabalho e entre turnos.

Alimente-se bem, pratique atividades físicas e mantenha contato com familiares e amigos. Alguns profissionais podem enfrentar rejeição pela família ou comunidade em razão do estigma ou medo, o que pode tornar a situação ainda mais difícil.

Quando possível, manter-se conectado com seus entes queridos por meios digitais é uma maneira de não perder contato. Procure apoio de colegas, chefes ou outras pessoas de confiança.

Para quem cuida de crianças

 

Ajude crianças a encontrar maneira de expressar sentimentos ruins, como medo e tristeza. Atividades criativas, como brincar e desenhar podem ajudar o processo.

Em tempos de estresse e crise, é comum que as crianças fiquem mais apegadas e exijam mais dos seus pais e cuidadores. Discuta a covid-19 com as crianças de maneira honesta e apropriada à idade. Estimule a criança a continuar a socializar e interagir, ainda que só com a família, caso necessário.

Para quem cuida de idosos

 

Pessoas mais velhas, especialmente as que estão isoladas ou que têm algum tipo de limitação cognitiva, podem tornar-se mais ansiosas, nervosas, agitadas e estressadas durante o surto ou uma eventual quarentena. Providenciar apoio prático e emocional por meio das redes familiares e profissionais de saúde é bastante útil nesses momentos.

Também é importante compartilhar fatos sobre o que está acontecendo e fornecer informação clara sobre como reduzir o risco de infecção em termos que os idosos possam entender, com respeito e paciência.

Outra recomendação é que mais membros da família sejam envolvidos para ajudar a apoiar os mais velhos e ajudá-los com as medidas de prevenção, como lavar as mãos da maneira correta, por exemplo.

Dicas Gerais

Pare de tocar o seu rosto! 5 dicas para se proteger do novo coronavírus

Já reparou quantas vezes ao dia toca o seu rosto? Esse hábito é um dos que precisam ser evitados para conter a transmissão do novo coronavírus

Já existem mudanças de comportamento, como na maneira como as pessoas se cumprimentam (adeus, aperto de mãos) e, agora, muita gente passou a perceber um hábito: tocar o rosto frequentemente. Você já parou para perceber quantas vezes ao dia faz isso?

Um estudo científico conduzido em 2015 por pesquisadores australianos buscou responder essa pergunta. Foram observadas 26 pessoas e a pesquisa constatou que, em média, uma pessoa é capaz de tocar o próprio rosto ao menos 23 vezes em uma hora. 36% dos toques aconteceram na boca, 31% no nariz e 27% nos olhos, áreas que são portas de entrada para dentro do corpo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse costume é justamente um dos que devem ser evitados, uma vez que nossas mãos tocam superfícies diversas o tempo todo (maçaneta da porta do trabalho, a catraca do ônibus, canetas). Ao esfregar os olhos ou tocar a boca, torna-se muito fácil se contaminar por um vírus, como o novo coronavírus.

No caso dessa nova doença, ela se espalha de pessoa para pessoa e, segundo a OMS, o contágio acontece por meio das gotículas de saliva, espirro, contato pessoal próximo ou contato com superfícies contaminadas. Seu período de incubação é de 5 até 12 dias e a transmissibilidade é, em média, de 7 dias a partir do início dos sintomas (como febre e tosse).

Como prevenir o contágio do coronavírus

Evitar tocar o seu rosto é apenas uma das questões que as pessoas precisam observar no seu dia a dia. Há outras recomendações da OMS para evitar o contágio do novo coronavírus. Veja abaixo as principais delas:

  • Lave suas mãos regularmente

Se parar de tocar o rosto é importante, mais importante ainda é garantir que as mãos estejam higienizadas de maneira adequada. Além de usar bastante sabão e água corrente, é necessário esfrega-las por ao menos 20 segundos, diz a OMS. Vale, ainda, usar gotas de álcool gel para eliminar qualquer traço do vírus das suas mãos.

Preste atenção nos dedos e não deixe de incluir os punhos. Não se sabe quanto tempo o vírus é capaz de sobreviver em uma superfície. Portanto, leve essa dica muito a sério.

  • Cuidado ao tossir ou espirrar

A pessoa infectada espalha o vírus por meio daquilo que ela expele. Então, uma dica fundamental é cobrir a boca e o nariz ao espirrar ou tossir. De acordo com a OMS, a melhor forma de fazer isso é com lenços descartáveis, que devem ser jogados no lixo assim que utilizados. Se isso não for possível, dobre o braço e espirre no seu cotovelo.

  • Mantenha distância das pessoas

Lidar com o novo coronavírus se tornou a desculpa perfeita para que os antissociais se mantenham distantes dos colegas de trabalho e familiares: a OMS recomenda que as pessoas não ultrapassem o limite de um metro de distância umas das outras. Essa é a distância que os líquidos expelidos em um espirro podem atingir.

  • Ao notar os sintomas, busque ajuda médica imediatamente

Mesmo com essas, ainda é possível que uma pessoa se contamine. Portanto, ao notar qualquer sinal dos sintomas do novo coronavírus, que são os mesmos de um resfriado comum, é importante buscar assistência médica imediatamente. Assim, as autoridades de saúde pública podem agir rapidamente para evitar que essa pessoa seja tratada de forma adequada e não transmita o vírus para outras ao seu redor.

 

Fontes: BBC e Exame