Seis das 10 cidades mais inteligentes, conectadas e com maior potencial de desenvolvimento no país estão na região Sudeste, segundo o ranking Connected Smart Cities, divulgado nesta semana pela consultoria Urban Systems.

Elaborado em parceria com a empresa de desenvolvimento de negócios Nacta, o ranking avaliou cerca de 673 municípios com mais de 50 mil habitantes em 70 indicadores, divididos em 11 categorias como: saúde, mobilidade e acessibilidade, economia, tecnologia e inovação e educação.

Na edição deste ano, depois de dois anos fora da liderança, a cidade de São Paulo voltou ao topo da lista das cidades mais inteligentes e conectadas do Brasil, superando Campinas, líder em 2019, e Curitiba, que ficou na primeira colocação em 2018.

A cidade de São Paulo é seguida por Florianópolis, que teve sua melhor posição em todas as edições do ranking. Curitiba, Campinas e Vitória fecham o top 5 de cidades mais inteligentes do país.

A capital paulista se destacou em quatro principais indicadores: mobilidade e acessibilidade (1º lugar); tecnologia e inovação (1º lugar); urbanismo (2º lugar); empreendedorismo (2º); e economia (5º).

Entre os municípios da região Nordeste, Recife é a cidade mais bem avaliada, ocupando a 15º posição — subindo oito posições em relação ao resultado do ano passado.

Não há representante das cidades da região Norte entre as vinte primeiras colocadas, o que indica ainda uma grande desigualdade entre as regiões do país. A melhor colocada entre as cidades do Norte foi Palmas, capital do Tocantins, que ocupa a 32º posição no ranking.

Para o desenvolvimento do ranking, a Urban Systems utiliza metodologia própria de ponderação de indicadores, denominada de Índice de Qualidade Mercadológica (IQM). O cálculo do índice permite que valores que variam em natureza, complexidade e unidades de medida, sejam transformados em valores ponderados para que os indicadores sejam analisados em uma mesma equação e, dessa forma, hierarquizados.

O estudo coleta dados e informações de todos os municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes, segundo estimativa populacional do IBGE em 2019. Na edição de 2020, das 673 cidades avaliadas, 48 contam com mais de 500 mil habitantes; 274 com 100 a 500 mil habitantes; e 349 possuem entre 50 a 100 mil habitantes.

Dos 70 indicadores, 69 deles ganharam o peso 1. Apenas o indicador de escolaridade do prefeito teve peso de 0,5. Com isso, a pontuação máxima do ranking é de 69,5.

Confira as 40 cidades mais inteligentes e conectadas do Brasil, segundo o ranking  Connected Smart Cities 2020:

Posição Cidade-UF Nota
São Paulo – SP 37,901
Florianópolis – SC 37,224
Curitiba – PR 36,545
Campinas – SP 36,303
Vitória – ES 36,251
São Caetano do Sul – SP 36,107
Santos – SP 35,423
Brasília – DF 35,361
Porto Alegre – RS 34,869
10º Belo Horizonte – MG 34,608
11º Niterói – RJ 34,411
12º Rio de Janeiro – RJ 34,297
13º Barueri – SP 34,214
14º Campo Grande – MS 34,002
15º Recife – PE 33,557
16º Balneário Camboriú – SC 33,449
17º Jaguariúna – SP 33,421
18º Itajaí – SC 33,078
19º Blumenau – SC 33,017
20º São José dos Campos – SP 32,979
21º Vinhedo – SP 32,763
22º Jundiaí – SP 32,588
23º Joinville – SC 32,557
24º Maringá – PR 32,397
25º Londrina – PR 32,296
26º Praia Grande – SP 32,277
27º Salvador – BA 32,276
28º São Bernardo do Campo – SP 32,209
29º Fortaleza – CE 32,863
30º Sorocaba – SP 31,849
31º Ribeirão Preto – SP 31,841
32º Palmas – TO 31,779
33º Santo André – SP 31,432
34º Viçosa – MG 31,384
35º Juiz de Fora – MG 31,232
36º Goiânia – GO 31,231
37º Paulínia – SP 31,208
38º Teresina – PI 31,196
39º Santana de Parnaíba – SP 31,176
40º Limeira – SP 31,161

Economia

Barueri, na Grande São Paulo, foi a cidade com a maior nota na categoria de Economia, pela terceira vez entre as seis edições do ranking, com 6,817 pontos (a nota máxima neste recorte é de 11,5 pontos). Cerca de 9,4% da força de trabalho da cidade está ocupada em cargos nos setores de Tecnologia da Informação e Comunicação, além disso 95,1% dos empregos formais da cidade são do setor privado. A renda média do trabalhador formal em Barueri é R$ 4.006.

O eixo engloba indicadores relativos à renda da população, crescimento econômico de diferentes setores relevantes para a cidade, a sustentabilidade econômica do município, a origem da receita e a proporção do número de empregos disponíveis.

Segundo Thomaz Assumpção, CEO da consultoria Urban Systems, esses fatores serão fundamentais no movimento pós-pandemia, em que as pessoas vão migrar para cidades próximas às grandes metrópoles.

“As cidades médias terão uma atratividade grande e elas devem estar ao redor ou uma distância de uma hora dos grandes polos urbanos. Neste ranking, a qualidade de vida tem um peso muito grande para sinalizar quais cidades são as melhores para se viver porque elas precisam apresentar bons aspectos de segurança, educação, uma infraestrutura compatível e sustentabilidade econômica para garantir uma qualidade de vida significativa a ponto de fazer com que as pessoas migrem para essas cidades”, explica Assumpção.

As cidades melhor posicionadas no recorte estão concentradas nas regiões Sudeste e Sul. Campinas, Florianópolis, Brasília e São Paulo fecham o ranking de cidades com as melhores notas no indicador.

Empreendedorismo

No quesito empreendedorismo, que avalia indicadores como: economia criativa, tecnologia, micro empresa individual, espaços de inovação e de incubação de conhecimento, a cidade do Rio de Janeiro ficou na primeira posição, com 2,925 pontos.

É o terceiro ano consecutivo que a capital fluminense lidera o ranking na categoria. Oito das 10 cidades mais bem posicionadas no recorte de empreendedorismo são capitais, seguindo um movimento
percebido também no recorte de tecnologia e inovação, segundo o estudo.

Segurança

No quesito segurança, a cidade de Ipojuca, na região metropolitana do Recife, foi a mais bem avaliada. A cidade já liderou o ranking neste recorte nos anos de 2015, 2016 e 2018.

A cidade com 4,6 policiais por mil habitantes e o investimento em segurança é de R$ 394,11 por habitante.

As outras cidades que integram o top 5 em segurança são: São Miguel dos Campos (AL), Mariana (MG), em Minas Gerais,  Balneário Camboriú (SC) e Santana de Parnaíba (SP).

Meio Ambiente

Pelo terceiro ano seguido a cidade de Santos se mantém na liderança das cidades na categoria Meio Ambiente do Ranking Connected Smart Cities, com 6,42 pontos.

Segundo o estudo, a cidade do litoral de São Paulo conta com 100% de atendimento urbano de água, esgoto e coleta de resíduos sólidos. O percentual de tratamento de esgoto sobre o coletado é de 97,6%.

A cidade também apresenta monitoramento de áreas de risco e ainda apresenta um percentual de percentual de perdas de água na distribuição de 14,3%, número inferior a média dos municípios brasileiros.

Santos ainda apresentou uma melhora no tempo médio de interrupção do serviço de abastecimento de água — se destacando mais uma vez na categoria.

Das 20 melhores cidades posicionadas, 17 estão na região Sudeste – uma redução de duas cidades em relação ao estudo anterior. Isso demonstra que existe uma concentração de serviço e infraestrutura na região e, consequentemente, uma carência em outras regiões, principalmente na comparação com o Norte e Nordeste.

Tecnologia e inovação

Os indicadores concebidos para o eixo de tecnologia e inovação avaliam o capital humano, a infraestrutura de telecomunicação (Fibra Ótica e 4,5G), produção de conhecimento (patentes) e incentivo a pesquisa (Bolsa CNPq).

A cidade de São Paulo assumiu o topo de cidade com melhor desenvolvimento em tecnologia e inovação do país no ranking. Dentre os indicadores que mais impulsionaram o seu crescimento foi o desenvolvimento das conexões de fibra ótica com velocidade superior a 34 mbs, que subiu de 47,3%, em 2019, para 56,3% neste ano.

A cidade possui 85 ligações de internet para cada 100 habitantes, um crescimento de mais de 200% em relação ao último ano, quando o número de ligações para 100 habitantes eram de 28.

Sete das 10 cidades melhores posicionadas são capitais, o que demonstra uma concentração de espaços de inovação e acesso a infraestrutura de tecnologia em grandes cidades brasileiras. O estudo destacou também que o indicador pode sofrer alterações nos próximos anos por conta dos cortes anuais para pesquisa no país, o que pode impactar indiretamente as áreas de empreendedorismo e economia.

 

Via: Infomoney

 

 

 

 

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