Depois de 10 meses e muitas intervenções, as obras da Avenida Marquês do Paraná, no Centro de Niterói, acabaram e a via foi entregue ontem totalmente reformada à população. A data escolhida para a entrega foi o dia do padroeiro da cidade, São João, e o prefeito Rodrigo Neves comemorou a finalização dos trabalhos.

A urbanização e duplicação deram nova roupagem para a grande via que liga Centro e Zona Sul de Niterói, além de ser principal acesso para a Ponte Rio-Niterói. Agora tem ciclovia e pista exclusiva para ônibus nos dois sentidos da via além de iluminação de LED, acessibilidade nas calçadas além de jardins. Durante a execução da obra muitos niteroienses questionaram as intervenções.

“Hoje eu posso afirmar que ‘queimei minha língua’. Eu reclamei da obra e achei que congestionou muito o trânsito para quem seguia para Icaraí. Mas hoje eu vejo que fez muita diferença e a rua está mais ampla com mais faixas de rolamento além de estar linda. A pintura no chão também fez muita diferença e ficou muito bem sinalizado”, elogiou a dona de casa Kátia Silva, 43 anos.

De acordo com a Prefeitura, seguindo o os mesmos padrões das estações da TransOceânica, a nova estação substitui o antigo ponto de ônibus que havia em frente ao Hospital Antônio Pedro (Huap) e que provocava retenções no trânsito. No sentido contrário, a faixa exclusiva para ônibus segue junto à calçada, do lado direito.

“Antes das obras, os ciclistas tinham que se arriscar dividindo espaço com os carros na Avenida Marquês do Paraná. Agora, temos uma ciclovia segregada do trânsito de veículos, segura e que liga o Centro a praticamente todo o restante da cidade”, destacou o secretário municipal de Urbanismo e Mobilidade, Renato Barandier.

Nas suas redes sociais o prefeito Rodrigo Neves comemorou o término das obras.

“Após muito trabalho e dedicação, contrariando os pessimistas de sempre, a Avenida está completamente diferente. A implantação das obras da nova Marquês do Paraná deu muito trabalho, mas agora é realidade. Apesar da crise mais geral, Niterói seguindo em frente”, frisou.

O membro do coletivo Pedal Sonoro, Luis Araujo, a princípio aprovou a iniciativa.

“A obra no geral é boa, necessária e uma demanda antiga dos ciclistas. Precisamos de mais tempo para avaliar se as coisas vão funcionar. Mas atende a demanda histórica dos ciclistas. Temos que ver se ainda existem locais que precisam ser revisados, ou sofrer alguma alteração para que não comprometa a segurança”, ponderou.

No início do projeto, que tinha expectativa de diminuir em 20 minutos no tempo de deslocamento, foram desapropriados e demolidos mais de 50 imóveis entre as ruas Doutor Celestino e Miguel de Frias. A obra também faz parte das melhorias de mobilidade urbana que inclui o túnel Charitas-Cafubá, a TransOceânica e o mergulhão da Praça Renascença. Essa foi a primeira obra realizada com recursos obtidos através do modelo de outorga onerosa, que financiará ações do processo de requalificação do Centro.

UMA OBRA QUE DEVERIA TER COMEÇADO HÁ 46 ANOS

O IV centenário vem aí. A cidade precisa se preparar” era a campanha desenvolvida pela A TRIBUNA, lamentando o quadro urbanístico de Niterói e propondo soluções para a comemoração em 1973. Nada foi feito pelos nomeados para administrar o Estado e o município.

Outra insistente campanha aconteceu quando estava por se tornar uma realidade o sonho de uma nova ligação Rio-Niterói.

O jornal apresentou “55 soluções urbanas para Niterói receber a Ponte”. Entre elas, a transformação da estreita rua Marques do Paraná numa Avenida, apoiada por duas vias paralelas para suportar o crescimento futuro decorrente da obra da Ponte executada pelo coronel Mário David Andreazza.

A ponte foi inaugurada em 4 de março de 1974. Ocorreu o previsto: a cidade “entalada”, no primeiro fim de semana após a inauguração, à qual o repórter-vidente não pôde comparecer por decisão do cerimonial do Ministério da Guerra. Mas ele esteve lá, perto dos “gorilas” e da Rainha Elizabeth.

Indicado pelo comandante Heleno Nunes para prefeito de Niterói, em março de 1975, com a decretação da fusão. GB-RJ, o engenheiro Ronaldo Fabrício, filho de um general, foi à redação de A TRIBUNA e analisou os planos urbanos.

Não posso fazer todas, mas vou alargar a Marques do Paraná”, afirmou.

Na época não haviam empreiteiras e, além dele, comandaram a obra o secretário José Sodré Linhares e uma equipe municipal, com o engenheiro Nicola Tutungi, morador na região.

A administração de apenas 22 meses fez Niterói, que já se expandia e mergulhava num “boom” imobiliário, começar a respirar em meio ao crescente tráfego.

Mais tarde, Jorge Roberto Silveira chegou a comprar módulos para fazer um viaduto, mas, alegando falhas técnicas, as peças foram para o lixo, como noticiou o “Jornal de Icaraí”. Depois surgiu o “Mergulhão”, com muitos problemas sanados na gestão de Rodrigo Neves, que inciou e terminou a fase de ampliação e modernização da Avenida, tornada essencial à ligação Zona Sul-Centro.

P.S.- Rodrigo Neves também iniciou e concluiu a obra do túnel Charitas-Cafubá, idealizada em 1954 por Amaral Peixoto. O túnel recebeu os nomes de Luis Antônio Pimentel, da equipe de A TRIBUNA e do ex-Prefeito João Sampaio (PDT).

Fonte: A Tribuna

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