Terminal “abandonado” de Niterói pode ser vendido
O Terminal Rodoviário Roberto Silveira, principal ponto de embarque e desembarque de ônibus intermunicipais em Niterói, voltou ao centro das discussões públicas. O espaço, que há anos enfrenta problemas de conservação, foi incluído na lista de imóveis que o Governo do Estado do Rio de Janeiro pode leiloar para quitar dívidas com a União.
A proposta surgiu após uma emenda do deputado Alexandre Knoploch (PL) ao Projeto de Lei Complementar 40/25, debatido na Alerj. O texto autoriza a alienação de dezenas de propriedades estaduais, entre elas o Estádio Nilton Santos (Engenhão), a Rodoviária Novo Rio e o Terminal Roberto Silveira, em Niterói.
Estrutura precária reacende debate
Administrado pela Coderte (Companhia de Desenvolvimento Rodoviário e Terminais do Estado), o terminal é alvo frequente de críticas de passageiros e especialistas.
Entre os problemas apontados estão:
-
Falta de conservação e limpeza
-
Banheiros danificados e pouco funcionais
-
Infiltrações e risco de desabamento
-
Iluminação deficiente e sensação de insegurança
Para moradores, o terminal simboliza o abandono do Estado na infraestrutura de transporte de Niterói.
Debate na Alerj: o que pode sair ou ficar na lista
O PLC 40/25 foi encaminhado pelo governador Cláudio Castro em agosto de 2025. A Comissão de Constituição e Justiça da Alerj criou um grupo de trabalho para definir quais imóveis poderiam ser retirados da lista de alienação.
Após vistorias, 16 imóveis foram excluídos, entre eles o Caio Martins (Niterói), a Escola de Música Villa-Lobos, o Batalhão da PM do Leblon e a Casa Nem.
O Terminal Rodoviário, porém, permaneceu na relação, o que causou desconforto entre representantes municipais.
Atualmente, 62 imóveis seguem como potenciais alvos de venda — número que ainda pode mudar, já que os deputados têm prazo para apresentar novas emendas até 13 de novembro.
Por que o Estado quer vender o terminal
O governo alega que a venda de parte do patrimônio público é necessária para:
-
Quitar dívidas com a União
-
Equilibrar as contas estaduais
-
Reforçar o Fundo Soberano
-
Gerar recursos para investimentos prioritários
Mas, em Niterói, o argumento não convence. Lideranças locais e usuários temem que a privatização aconteça sem garantias de reforma, sem contrapartidas claras e com risco de descontinuidade dos serviços.
O terminal é essencial para trabalhadores que se deslocam diariamente entre Niterói, São Gonçalo, Região dos Lagos e o Rio de Janeiro.
Como funcionaria o leilão
O processo de alienação prevê:
-
Venda via procedimento licitatório
-
Laudo de avaliação de mercado, com validade de até um ano
-
Edital contendo histórico, estado de conservação e ações judiciais
-
Possibilidade de venda por lotes ou individualmente
-
Pagamento à vista ou parcelado
-
Uso de títulos da dívida pública em até 30% do valor
-
Direito de preferência a ocupantes regulares (no caso de imóveis habitados)
E se o terminal for vendido?
O futuro do espaço dependerá do projeto vencedor do edital. Possibilidades incluem:
-
Reforma estrutural completa e modernização
-
Concessão à iniciativa privada para gestão e operação
-
Criação de um centro de mobilidade urbana com integração modal
-
Instalação de lojas e serviços comerciais
Sem garantias claras, no entanto, cresce o receio de aumento de tarifas, redução de linhas e até abandono do espaço.
Próximos passos
A votação do PLC 40/25 deve ocorrer nos próximos dias. Caso aprovado, o governo poderá iniciar estudos técnicos e elaborar o edital de alienação.
Até lá, o Terminal Roberto Silveira segue em operação precária e sob incerteza — no cruzamento entre o abandono, o potencial de revitalização e a urgência de decisões públicas que definam o seu destino.
Fonte: Cidade de Niterói


0 comentários