Terminal de Niterói pode ser vendido pelo Estado
Publicação: 13/11/2025
Categorias: Agenda Cultural | Notícias
Autor: marketing self

Terminal de Niterói pode ser vendido pelo Estado

Terminal “abandonado” de Niterói pode ser vendido

O Terminal Rodoviário Roberto Silveira, principal ponto de embarque e desembarque de ônibus intermunicipais em Niterói, voltou ao centro das discussões públicas. O espaço, que há anos enfrenta problemas de conservação, foi incluído na lista de imóveis que o Governo do Estado do Rio de Janeiro pode leiloar para quitar dívidas com a União.

A proposta surgiu após uma emenda do deputado Alexandre Knoploch (PL) ao Projeto de Lei Complementar 40/25, debatido na Alerj. O texto autoriza a alienação de dezenas de propriedades estaduais, entre elas o Estádio Nilton Santos (Engenhão), a Rodoviária Novo Rio e o Terminal Roberto Silveira, em Niterói.

Estrutura precária reacende debate

Administrado pela Coderte (Companhia de Desenvolvimento Rodoviário e Terminais do Estado), o terminal é alvo frequente de críticas de passageiros e especialistas.
Entre os problemas apontados estão:

  • Falta de conservação e limpeza

  • Banheiros danificados e pouco funcionais

  • Infiltrações e risco de desabamento

  • Iluminação deficiente e sensação de insegurança

Para moradores, o terminal simboliza o abandono do Estado na infraestrutura de transporte de Niterói.

Debate na Alerj: o que pode sair ou ficar na lista

O PLC 40/25 foi encaminhado pelo governador Cláudio Castro em agosto de 2025. A Comissão de Constituição e Justiça da Alerj criou um grupo de trabalho para definir quais imóveis poderiam ser retirados da lista de alienação.

Após vistorias, 16 imóveis foram excluídos, entre eles o Caio Martins (Niterói), a Escola de Música Villa-Lobos, o Batalhão da PM do Leblon e a Casa Nem.
O Terminal Rodoviário, porém, permaneceu na relação, o que causou desconforto entre representantes municipais.

Atualmente, 62 imóveis seguem como potenciais alvos de venda — número que ainda pode mudar, já que os deputados têm prazo para apresentar novas emendas até 13 de novembro.

Por que o Estado quer vender o terminal

O governo alega que a venda de parte do patrimônio público é necessária para:

  • Quitar dívidas com a União

  • Equilibrar as contas estaduais

  • Reforçar o Fundo Soberano

  • Gerar recursos para investimentos prioritários

Mas, em Niterói, o argumento não convence. Lideranças locais e usuários temem que a privatização aconteça sem garantias de reforma, sem contrapartidas claras e com risco de descontinuidade dos serviços.
O terminal é essencial para trabalhadores que se deslocam diariamente entre Niterói, São Gonçalo, Região dos Lagos e o Rio de Janeiro.

Como funcionaria o leilão

O processo de alienação prevê:

  • Venda via procedimento licitatório

  • Laudo de avaliação de mercado, com validade de até um ano

  • Edital contendo histórico, estado de conservação e ações judiciais

  • Possibilidade de venda por lotes ou individualmente

  • Pagamento à vista ou parcelado

  • Uso de títulos da dívida pública em até 30% do valor

  • Direito de preferência a ocupantes regulares (no caso de imóveis habitados)

E se o terminal for vendido?

O futuro do espaço dependerá do projeto vencedor do edital. Possibilidades incluem:

  • Reforma estrutural completa e modernização

  • Concessão à iniciativa privada para gestão e operação

  • Criação de um centro de mobilidade urbana com integração modal

  • Instalação de lojas e serviços comerciais

Sem garantias claras, no entanto, cresce o receio de aumento de tarifas, redução de linhas e até abandono do espaço.

Próximos passos

A votação do PLC 40/25 deve ocorrer nos próximos dias. Caso aprovado, o governo poderá iniciar estudos técnicos e elaborar o edital de alienação.

Até lá, o Terminal Roberto Silveira segue em operação precária e sob incerteza — no cruzamento entre o abandono, o potencial de revitalização e a urgência de decisões públicas que definam o seu destino.

Fonte: Cidade de Niterói

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