Niterói: melhor cidade para pedalar na América Latina
Publicação: 01/09/2026
Categorias: Agenda Cultural | Cultura
Autor: Quero Morar em Niterói

Niterói Lidera Ranking de Mobilidade Ativa na América Latina

Niterói, no Rio de Janeiro, alcançou a primeira posição entre os municípios latino-americanos avaliados pelo Copenhagenize Index 2025, um dos principais relatórios globais sobre as condições oferecidas para o uso de bicicletas em áreas urbanas.

Com 45,3 pontos, a cidade brasileira superou capitais consolidadas na cultura do ciclismo urbano. O ranking regional latino-americano ficou definido da seguinte forma:

  • Niterói (Brasil): 45,3 pontos

  • Bogotá (Colômbia): 42,7 pontos

  • Fortaleza (Brasil): 35,5 pontos

  • Guadalajara (México): 34,9 pontos

  • Buenos Aires (Argentina): 32,9 pontos

No cenário global, Niterói ocupa a 43ª posição em uma lista de 100 cidades de 44 países, cuja liderança pertence a centros europeus como Utrecht (Holanda), Copenhague (Dinamarca) e Amsterdã (Holanda). O desempenho de Niterói reflete um processo de mais de uma década de estruturação da mobilidade não motorizada, mostrando que o município consolidou sua posição como a melhor cidade para pedalar na América Latina.

Como a Pontuação é Calculada?

O resultado do Copenhagenize Index não se restringe à quilometragem das ciclovias. O índice divide a avaliação em três diretrizes centrais, nas quais Niterói obteve o seguinte desempenho:

  • Infraestrutura segura e conectada (44,9 pontos): Avalia a qualidade, a segurança e a padronização das vias exclusivas para ciclistas.

  • Uso e alcance (38,8 pontos): Mede a adesão da população, o impacto das viagens diárias e a acessibilidade da rede.

  • Políticas e apoio (62,7 pontos): Analisa as ações do poder público em planejamento urbano, facilitação do acesso e campanhas de segurança.

A combinação dessas métricas aponta para a mudança no perfil de deslocamento interno do município desde o lançamento do programa Niterói de Bicicleta, em 2013.

Expansão da Infraestrutura e Integração Intermodal

Há pouco mais de dez anos, Niterói contava com apenas 20 quilômetros de infraestrutura cicloviária. Hoje, o município relata possuir cerca de 100 quilômetros de malha, incluindo ciclovias, ciclofaixas e rotas compartilhadas. Essa rede tem o objetivo de conectar zonas residenciais a polos de comércio, serviços e, fundamentalmente, a outros modais de transporte público.

A estratégia de integração intermodal é um dos pilares do resultado. Entre os equipamentos de apoio estrutural, destacam-se:

  • Bicicletário Araribóia: Localizado no Centro, anexo à estação das barcas. Disponibiliza 850 vagas de estacionamento gratuito, pontos de recarga para bicicletas elétricas e serviços de apoio. Facilita o trajeto de quem pedala até o Centro e segue viagem para o Rio de Janeiro de barca.

  • Bicicletário de Charitas: Inaugurado em 2026 junto à estação do catamarã, adicionou 400 novas vagas estruturadas para o ciclista urbano da zona sul da cidade.

NitBike: O Impacto do Compartilhamento Gratuito

Outro fator determinante para a alta pontuação no critério de “Uso e Alcance” foi a implementação do NitBike em julho de 2024. O sistema público de bicicletas compartilhadas funciona 24 horas por dia e não cobra tarifas dos usuários cadastrados.

Os dados de operação reforçam a adesão popular:

  • Mais de 2,6 milhões de viagens registradas com bicicletas adultas.

  • Mais de 32 mil viagens realizadas no sistema infantil.

  • Aproximadamente 150 mil usuários ativos.

  • Média de 180 mil deslocamentos mensais.

Ao longo de 2026, o serviço expandiu sua área de cobertura, alcançando a Região Oceânica com a inauguração da estação de Piratininga. O planejamento prevê ainda novas bases operacionais nos bairros do Cafubá e Camboinhas.

O Ciclismo como Meio de Transporte Diário

O reflexo dos investimentos é visível na circulação de áreas centrais. A ciclovia da avenida Marquês do Paraná, via arterial do município, registra diariamente milhares de passagens de bicicletas. O fluxo intenso indica que a bicicleta deixou de ser vista majoritariamente como instrumento de lazer e passou a integrar a matriz de transporte utilitário, conectando terminais rodoviários, hospitais, escolas e áreas comerciais.

Embora o topo do ranking global ainda esteja concentrado em nações europeias, o caso de Niterói apresenta um modelo de transição viável para metrópoles latino-americanas que buscam modernizar seus sistemas de mobilidade, reduzir emissões veiculares e otimizar o fluxo de trânsito no dia a dia.

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